Certeza (?)

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Ruan Machado de Assis Coelho Rossato

ou

Ruan Machado Paulo Coelho Rossato

?

Ruan Machado Coelho Rossato!

Romantizando o russo

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A  montanha  se  erguia  negra  sob  o  céu  em  dor.  As  conhecidas  árvores  escondiam  monstros  aos  urros,  enquanto  ela  corria  ainda  mais  para  dentro  do  bosque.  Quebrando  galhos,  cortando  pele,  brilhando  roxos,  pingando  negro;  fugindo.  Presa!  Gritou  e  esperneou  e  chorou  e  implorou  e  se  viu  solta.  Mata  adentro,  monte  acima,  em  pulos  de  gazela  sem  ver  o  leão.  O  topo  iluminado  escuro.  O  som  desumano  do  homem.  Seu  grito  vindo  das  desaparecidas  estrelas.  Ardeu  em  fogo,  enquanto  voava  com  a  chuva:  estrela  cadente,  de  morena  cauda,  que  caiu  das  nuvens  e  virou  terra.
Sobre  seu  raso  túmulo,lilases  flores  não  desabrocharam.

Ao Sol, à tarde

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O Sol entrava branco pela janela entreaberta e escorria pela sua pele macia fazendo a colorir. O cobertor de uma vermelho escuro abraça seu corpo, transparecendo-lhe a forma serpenteante, que, serpente, atraí e seduz. Pelas longas pernas, os olhos sobem e se deliciam nas largas quentes coxas, das quais vêem senão a silhueta. Curva silhueta, que ondula suave, certa e, bem sabe, quente. O fino ventre faz vale e se vela sob mão de veludo, tocando-o suave. O vermelho esconde os seios, criando impressões que, imaginárias que sejam, se mostram reais. O pescoço entre morenas madeixas sobe o olhar a divina face. As macias e coradas bochechas rodeiam delicados lábios, brilhando na luz e sorrindo de canto. Os olhos e todo o paraíso que neles se encerra se escondem, fazendo do desejo de acordar-lhe ainda maior. O cabelo lhe cai nos ombros e pelas delicadas orelhas em tempestuosas ondas de uma mar castanho. A mão quente envolve com profanos dedos de adorador desesperado e não se aguenta: beija-lhe a testa e suave diz
-lhe escrevi.

Passatempo

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Se tem papo

Passado…

Pensa se tem

Mas passa:

  • Passa pois, que

    Pudesse ter, não

    Passaria o passado

    A um passageiro

  • Já viu, só, passear no tempo

    Pessoa que só possui

    O passar do tempo

    E. Passa a não ter;

  • Teme, então, o toque do tempo

    E toma pra tomar o tanto de tempo

    Que tem pra si. Mas tomba.

  • Pois o tempo todo passa

    O tempo todo

    Passou.

    Eu e você e o cobertor

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    Amávamo-nos os três. Eu amava ao cobertor quando ele lhe amava e você me amava quando eu amava ao cobertor. Mas ele não nos amava como nós nos amávamos. O cobertor só nos amava quando eu e você estávamos nos amando. Nesse amor de cobertor quieto e quiente, amávamos como amávamos amar. Fora dele, amávamos amar-nos, dois. Assim, não amava o cobertor se não nos amassássemos e amássemos, três.

    Morreu só o amor do cobertor que de tanto amor. Desfiou.

    Reflexões no terminal Tucuruvi

    1 Comentário

    Esperar pela pessoa certa é mais ou menos como esperar pelo metrô novo. Você chega na estação esperando ver um parado, lhe esperando. Se tiver muita sorte, ele vai estar lá, de portas abertas e você vai sorrir ao vê-lo. Mas ele quase nunca está lá. E então duas escolhas se apresentam: ou você espera por ele ou entra naquele vagão velho e tenta aproveitar a viagem o quanto puder, mas sempre esperando a hora de descer. Se você resolver esperar por ele, é melhor se sentar: pode demorar a chegar. Às vezes, você irá vê-lo, indo na direção contrária à que você quer e se decepcionará, mas mesmo assim vai continuar lá. O relógio vai girar e todos os outros trens vão começar a parecer muito mais atraentes, mas você sabe que não quer viajar nesses trens. Você vai tentar se convencer de que vai tomar uma atitude e ficar prometendo a si mesmo: “Eu entro no próximo, não me importo se for novo”. Mas quando chega o trepidante trem metálico, você pensa no metrô novo e tudo de melhor que ele tem. E se promete mais uma vez aquilo que sabe que não cumprirá. Então você espera. Mas aí, você o ouve chegando, quieto, discreto. E quando o vê, sabe que toda aquela espera valeu a pena. Se levanta e com um sorriso no rosto anda até ele. Suas portas se abrem e logo antes daquele último passo, por cima do abismo, você pensa no que está prestes a fazer. Todo aquele tempo esperando por uma boa viagem, mas que você sabe que vai acabar. Sabe que uma hora, anunciarão o fim e você não terá nada a fazer senão sair. Mas você entra, sabendo que a viagem será boa e que quando chegar a hora do fim, você estará feliz por ter chegado no lugar que queria da melhor maneira possível. E quando você entra,

    Desculpa, vou ter que parar de escrever: o metrô novo chegou

    As pedras da calçada

    1 Comentário

    As lajotas no pavimento

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